terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Distinto

Não é só seu rosto,
suas mãos,
sua pele.

Não é só nossa conversa,
nossa risada,
nossa cevada.

Não é só nosso abraço,
nossa amizade,
nossa saudade.

É o seu sorriso,
seu olhar,
é meu amigo.

É a vontade de mais
um dia
com você.

É o desejo de mais
um dia
te ver.

É todo um momento
que só é ímpar
por você.

Distinto.

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Para Wallace Deo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Desapego

Devo aprender a desapegar de minhas linhas, de minhas palavras soltas e minhas memórias presentes.
Quero aprender a desapegar.
Não mais ser escrava de minhas palavras, atitudes e conceitos.
Ser livre por fora.
Ser livre por dentro.
Meu desejo é ser livre do fardo que sou.
Ser livre de mim.
Desapego.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Por fim

... estes olhos me dizem muita coisa.
E essa canção é nosso toque. É nosso enlace.
Não há nada como uma canção para sentir.


Essa melodia me faz amá-lo.
A vida é uma canção.

Até o último momento,
eu sinto toda a saudade de um amor ainda desconhecido e toda a saudade de uma vida não vivida.
Esse céu azul dá uma saudade danada...

Seguindo rastros.

Encontro sonhos em morangos, cordas e dança.
Encontro sonhos nos dias não ocupados e nas horas inexistentes .
Pensando em sorrir.
Sorrindo para o seu sorriso.


Oh baby, para de sorrir pra mim,
porque agora seus lábios estão ocupados com os meus.

E por fim, de mãos dadas e dançando a nossa canção até o fim.
Pelo nosso fim enfim.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Passa longe do Robert Pattinson

Muriçocas, pernilongos, mosquito da dengue. Tantos nomes para uma criatura que causa um tremendo infortúnio. Um não, dois. O primeiro é a picada. O segundo, o zunido.

Como pode um animal tão pequeno, tão insignificante ser tão terrível, cruel, sanguinário and sem-vergonha. Digo sem-vergonha porque, todos os dias pela manhã – depois de ter sido devorada por este "insetozinho" larápio – vou tomar meu banho. E lá está ele: o dono de minhas marcas na pele (pela picada) e minha noite de sono não dormida (pelo zunido).

O sem-vergonha está tão gordo pela manhã que, por voar com dificuldade, você facilmente consegue capturá-lo e exterminá-lo. Mata-se o gordo e, por consequência, toma-se um banho de sangue! Banho este, aliás, que pode ser tanto o seu próprio, quanto o do seu cachorro (nem os caninos estão isentos do ataque fulminante desta criatura que nem o Cthulhu quer).

Precisamente nesta noite, descubro que eles não só conseguem picar a sola do pé, como a sola do meu pé! E como é que coça? Por mais que eu cuide de meus pezinhos, a camada da pele é sempre mais grossa nesta região. O sem-vergonha me pica e nem consigo me coçar. É pior que tortura medieval! Aliás, prefiro a Inquisição!

Que venha o Cthulhu e vá embora o inseto-vampiro (que de Edward Cullen não tem nada).

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Mad About You

Fala baixinho

Fala baixinho só pra eu ouvir
Porque ninguém vai mesmo compreender
Que o nosso amor é bem maior
Que tudo aquilo que eles sentem
Eu acho até que eles nem sentem, não
Espalham coisas só pra disfarçar
Daí, então, por que se dar
Ouvidos a quem nem sabe gostar?

Olha só, meu bem, quando estamos sós
O mundo até parece que foi feito pra nós dois
Tanto amor assim que é melhor guardar
Pois que os invejosos vão querer roubar
A sinceridade é que vale mais

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Composição: Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Espera


Aguardo.
Aguardo com uma xícara de café na mão e a ansiedade daquele que espera. Tudo que me é interessante - os livros, os discos, as palavras - não fazem a mínima diferença.
Eu quero sua carta, sua letra, a impressão, a marca do toque da caneta no papel. Me mostre. Me deixe ver! Eu quero a veia. O venoso. O sangue.
Eu quero. Eu quero. Eu quero e não tenho. Não posso ter. Esse seu eu foi meu eu quem criou. Nada sei de ti. Nada saberei. Tenho só a vontade da sua carta nunca enviada. A vontade tem me feito escrava de meus desejos. Sou escrava deles.
O café está frio no fim do copo.
Foi-se uma garrafa.
A caixa dos correios vazia.
Querer na vontade.
Vontade que se desfaz com tanta espera.
Porque você não existe?

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imagem: michelle cunha.
veja: www.flickr.com/photos/michellecunha

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dona dos cachos e das cores.
Palavras soltas numa cabeça que pinta.
Não posso vê-la sem um café.
Não posso conceber uma xícara sem ela.

Devaneios e alucinações são para os de fora.
De dentro - na casa amarela - a regra é uma vida de sonho.
A vida é sonho.
Mas, aquela moça é real.
E, por isso mesmo, intangível.

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Para *michelle cunha
Se eu pudesse descrever o quão cálido e terno é o seu olhar, eu não escreveria.
Não adianta dizer ao mundo aquilo que se vê.

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Para Augusto Teixeira.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Poemar

Ouvi de certo poeta que o amor, ainda que partido, é válido.

Válido os acontecimentos, os dias que se construíram numa trajetória de vida.

Válidas tardes quentes ou com chuva fria.


Ouvi de certo poeta, que existe a possibilidade de amar estando separado de seu (ím)par.

Ouvi de certo poeta, que pode haver graça em outras pessoas deste tão grande mundo.

Ouvi que há possibilidade.


Ouvi de certo poeta que o amor nunca é perdido ainda que acabado.

E ouvi de certo poeta que, mesmo acabado, o amor permanece repousado em outro ser.

(ainda que esse outro ser seja o nosso outro eu)


Ouvi de certo poeta que amar pode ser constante.

Eterno enquanto dure.

E mesmo que dure, não precisa estar junto pra amar.


Ouvi de certo poeta que ainda prefere sonhar e voar.

Que prefere dançar.

Que prefere poetar.

Que prefere amar.


E deste poeta, ouvi a voz que grita cá dentro.

E ela dizia que sou livre.

E livre, que posso amar a distância.


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Para a minha menina.